
É uma obra magnífica de grande alcance social que está em pleno vapor em nossa cidade.
Ela não advém do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal.
Nada tem com programas dos Governos: Estadual ou Municipal.
Não é o IFET (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia) que está em obras.
O interessante dessa obra é que não possui nenhum engenheiro ou arquiteto responsável por ela e não conta com um centavo sequer de recursos financeiros (orçamento) por parte de órgãos públicos.
Coincidentemente pela sua grandiosidade ela começou quase que junto com o Cine Consórcio; esse, porém já terminado há tempo.
Essa obra ainda em permanente construção está longe dos olhos de qualquer fiscalização e da maioria do povo.
Ela nunca foi vistoriada e nem autuada, pudera o CREA nem sabe que ela existe.
Pelo seu valor inestimável, poucos a conhecem de fato e muitos nem sabem da sua real localização.
Inclusive o quadro de labuta desse arrojado projeto é na sua totalidade operária, e com um detalhe importantíssimo, todas com qualificação profissional para exercer as várias funções.
As mãos, porém delicadas, são hábeis e caprichosas no manuseio das ferramentas que usam em cada etapa do trabalho realizado e é um orgulho para elas. Olhem até a equipe do Gugu em seu quadro “Sonhar Mais Um Sonho” onde em pouquíssimo tempo (15 dias) constrói o imóvel projetado, sem dúvida ficaria com uma pontinha de inveja.
Nessa obra não há hidráulica, elétrica ou sistemas complementares, nada disso; mas não deixa de ter aquele acabamento que merece.
As operárias não reclamam das horas extras trabalhadas fora do horário estipulado e nunca nenhuma delas levou na Justiça do Trabalho para reivindicar os seus direitos.
Tudo é em função da obra e da sua nobre causa. Poderia até e porque não? Ser também chamada de PAC (Plano de Amor Comunitário), mas o nome originário desse admirável trabalho na verdade é “Obra do Berço” Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos.
Tudo começou há mais de cinqüenta anos atrás com um grupo de religiosas do Apostolado. À época sendo algumas de suas precursoras a senhora Carlota Aguiar e Zinha Noronha.
A idéia da criação desse digno trabalho não podia ser melhor. A finalidade era e ainda continua a confecção manual de mini-enxovais feitos pelas mãos das próprias operárias-voluntárias e resolveram então estabelecer um dia da semana para a sua realização. No que consiste o enxoval? De fraldas, cueiros, sapatinhos, pagãozinhos, paletozinhos de flanela e cobertor.
Toda a produção é destinada à Santa Casa de Misericórdia, para ala da Maternidade Elisa Aguiar.
Quantas mães grávidas que são carentes e que não possuem condições de fazer com certa antecedência os enxovais de seus nenéns como é de costume?
Anteriormente à Obra do Berço, acontecia com freqüência de mães que chegavam para dar à luz, só com a roupa do corpo, nada mais trazendo, a não ser, em seu ventre materno o amor pelo próprio filho. Atualmente as voluntárias tentam minimizar a falta dos enxovais e suprir as necessidades das gestantes, evitando com isso constrangimentos.
Essa Obra nunca parou e é itinerante. Houve sim ao longo desses anos alteração no grupo de pessoas quer seja por mudanças ou falecimentos e de residências obviamente, onde são realizados os trabalhos semanais, mas sempre com o mesmo objetivo. Atualmente das 14h30m até 17h às terças-feiras, elas estão numa sala do Lar São Vicente, cedido gentilmente pelas Cáritas.
Os materiais são totalmente bancados pelas voluntárias, cooperadores anônimos e alguns simpatizantes doadores.
Além dos enxovais, ainda são feitos crochês, toalhinhas, aventais e assemelhados e o dinheiro arrecadado com as vendas são revertidos para sua finalidade principal, a confecção dos enxovais.
Já é tradicional o grupo de senhoras jacarezinhenses residentes em Curitiba que também colaboram enviando diversos materiais.
As roupinhas de bebês usadas e que não mais servem e encontram-se engavetadas também são aceitas e bem vindas e repassadas à Maternidade.
Pudemos constatar a satisfação e a alegria por parte de algumas voluntárias privilegiadas que, por acaso ou sorte, encontram-se com mães e seus filhinhos das quais estão vestidos pelos tecidos por elas confeccionados.
Parabéns a todas as voluntárias, que não vou nominá-las uma a uma, por serem várias, que num gesto simples, porém, nobre, dão um verdadeiro exemplo de solidariedade e amor ao próximo e quem sabe, só o tempo dirá, esses pequeninos crescerão e um dia poderão pertencer a uma Obra semelhante e retribuírem um pouco da ternura e do amor recebidos no início de suas vidas.
A “Obra do Berço” é ou não é, uma magnífica obra em plena atividade em nossa cidade?
* Vicentinho é licenciado em história e bel. em direito.
Email: ver_vicentinho@yahoo.com.br
